20 outubro 2010

Obsessão

Eu quero o azar de homens malditos, à sorte de meninos vazios.

03 outubro 2010

A cada reflexão

Este mundo é insano.
Mas nem sempre foi assim...

Havia um tempo
em que nós nos amávamos,
os pássaros cantavam,
e bons idolatravam.

Almas não vagavam sem destino,
seres não viviam por viver,
e pessoas matavam-se somente de desejo

A tão sonhada glória existia, era dada aos merecedores;
os valores se invertem, nossos sentidos se despedem.

Se olhares teus heróis, verás cicatrizes, arranhões
são marcas de uma época conturbada,
um turbilhão de emoções nos apossava.

Essa maldita inércia não existia,
ah não, tudo menos o marasmo,
sufocarei nessa rotina.

Dai-me um consolo, és meu protetor,
sabes que morrerei aos poucos.

13 setembro 2010

Nossa incólume ficção


Era tarde da noite,
a escuridão já entoava as ruas,
e os seres encontravam-se na habitual inércia.

Bateste à minha porta,
com um rosto marcado pela dor
clamou por asilo e compaixão,
lembrei de todo o sofrimento, e hesitei
porém, olhei através do seu peito, estava aberto e destroçado
com pena, cedi à sua vontade

Horas passadas, cigarros apagados e cafés bebidos...
Quando dei por mim
estávamos ali,
tão sozinhos e tão juntos
tão entendidos e tão confusos.

A naturalidade dominou,
e de repente, não mais que de repente
um beijo rompeu o silêncio da madrugada
tuas mãos aqueceram as minhas
e nossas roupas foram tiradas, arrancadas como se nunca tivessem existido.

Depois de muito nos amar
desmaiamos em um quente relento.
Pela manhã o sol anunciou o fim de uma desventura.
Mas ao olhar para a cama, não vi ninguém,
não havia nenhum resquício de tua presença
nem cheiro, nem voz, nem amor.

Maldição!
Percebo então o que foi aquilo tudo: um sonho.
Um sonho que sem ti, é pesadelo.
Tu nunca esteve e nunca estarás em meus braços
serás meu, somente na ficção...

01 setembro 2010

Idas e vindas

Ele sorriu, ela chorou
ele saiu, ela ficou
ele morreu de amor, já ela viveu de amor
ele insistia na dor, enquanto ela o adorava sem pudor.

Aprisionava-me a alma e maltratava-me o coração

Relembrei então, nossa doce e dramática história
em que por anos amei, por meses tentei,
por dias chorei, e por horas sangrei,
mas que nos últimos segundos pensei...

O que fazer agora meu amor se foi,
que meu ar acabou,
e minha razão foi tirada?

Nada, para nós, sempre foi, e será tarde demais...

07 agosto 2010

Outros tons


Já estava eu ali, parada e quieta
esperando e clamando por um sinal.
Os olhares e risos mostravam que viria
mas entendi que me decepcionaria.

Poeta louco e superficial!
Julgas ser profundo, mas é apenas um bossal;

Roubaste-me beijos e sorrisos, noites e pedidos
e então, sem piedade jogou-me à realidade.
Saia daqui com tanta hipocrisia
não mereces mais a minha idolatria;

Teu estilo transviado me encanta
ao mesmo tempo que tua mão fria espanta.
Fostes uma doce e virtuosa decepção
que ao final, causou-me comoção.

Então cá estou nessa louca e deliciosa revolta
bravando e espraguejando uma aventura tão simplória.
Sinto pena de mim, mas mais ainda de ti
que não reconheceu sua real alma exposta...

03 agosto 2010

Devaneios de uma noite silenciosa

Meus anjos e demônios estão a me pertubar,
na perfeita escuridão, as vozes só fazem cantar.

A claridade se vai com o tempo,
a loucura chega em um tom ameno.

A sutileza dos olhares, desperta o encantamento
porém, logo percebo que é tudo um julgamento.

Os sorrisos se camuflam,
os toques se misturam.

Arranco teus cabelos, arranho tua pele
não adianta de mais nada, tristeza à ti confere.

As brutas folhas secas denunciam mudança,
procure-me nos teus sonhos, haverá esperança...

14 julho 2010

Ainda há tempo


Não me venha com isso
pare de se torturar!

Esqueça a hipocrisia
se ponha a falar,
mostre sua loucura
a inspiração fluirá.

Não se puna mais,
e então esquecerá
das dores sentidas,
a anestesia agirá.

Tente então
abrir os olhos
provavelmente verá,
toda a beleza que existe
e que nunca irá se acabar.

Covardia

A filosofia obstrui meus olhos
quem responde é minha boca,
está tudo trocado
está tudo invertido.

As singelas palavras
vão se ajustando
no denso papel colorido,
mas as cores não existem
é tudo ilusão.

Eles são tão sórdidos
que só vêem escuridão;

Pela frente, me pergunto
o que ainda está por vir
Por favor, me perdoe
se acaso eu não agir,
descansarei eternamente
até me esvair.

Mudanças repentinas


Olhando as luzes
foi que percebi
o que significavas pra mim.

Um sonho,
depressivo e bucólico
Uma imagem,
linda e desfigurada
Um som,
doce e imponente
E uma luz,
escura e fraca.

Mas tão logo
o encantamento passa
e percebo que tua face perfeita
agora se encontra obsoleta.

Tudo se vai

A poesia é a muleta do cego,
cego de dor,
cego de amor,
cego até mesmo de felicidade.
Inspiramo-nos nas coisas
mais densas e triviais do mundo,
e até ensaiamos uma momentânea anestesia
que dura somente algumas linhas,
porque tão logo
a inspiração acaba,
e junto com ela se esvai
toda aquela alegria.