07 agosto 2010

Outros tons


Já estava eu ali, parada e quieta
esperando e clamando por um sinal.
Os olhares e risos mostravam que viria
mas entendi que me decepcionaria.

Poeta louco e superficial!
Julgas ser profundo, mas é apenas um bossal;

Roubaste-me beijos e sorrisos, noites e pedidos
e então, sem piedade jogou-me à realidade.
Saia daqui com tanta hipocrisia
não mereces mais a minha idolatria;

Teu estilo transviado me encanta
ao mesmo tempo que tua mão fria espanta.
Fostes uma doce e virtuosa decepção
que ao final, causou-me comoção.

Então cá estou nessa louca e deliciosa revolta
bravando e espraguejando uma aventura tão simplória.
Sinto pena de mim, mas mais ainda de ti
que não reconheceu sua real alma exposta...

03 agosto 2010

Devaneios de uma noite silenciosa

Meus anjos e demônios estão a me pertubar,
na perfeita escuridão, as vozes só fazem cantar.

A claridade se vai com o tempo,
a loucura chega em um tom ameno.

A sutileza dos olhares, desperta o encantamento
porém, logo percebo que é tudo um julgamento.

Os sorrisos se camuflam,
os toques se misturam.

Arranco teus cabelos, arranho tua pele
não adianta de mais nada, tristeza à ti confere.

As brutas folhas secas denunciam mudança,
procure-me nos teus sonhos, haverá esperança...

14 julho 2010

Ainda há tempo


Não me venha com isso
pare de se torturar!

Esqueça a hipocrisia
se ponha a falar,
mostre sua loucura
a inspiração fluirá.

Não se puna mais,
e então esquecerá
das dores sentidas,
a anestesia agirá.

Tente então
abrir os olhos
provavelmente verá,
toda a beleza que existe
e que nunca irá se acabar.

Covardia

A filosofia obstrui meus olhos
quem responde é minha boca,
está tudo trocado
está tudo invertido.

As singelas palavras
vão se ajustando
no denso papel colorido,
mas as cores não existem
é tudo ilusão.

Eles são tão sórdidos
que só vêem escuridão;

Pela frente, me pergunto
o que ainda está por vir
Por favor, me perdoe
se acaso eu não agir,
descansarei eternamente
até me esvair.

Mudanças repentinas


Olhando as luzes
foi que percebi
o que significavas pra mim.

Um sonho,
depressivo e bucólico
Uma imagem,
linda e desfigurada
Um som,
doce e imponente
E uma luz,
escura e fraca.

Mas tão logo
o encantamento passa
e percebo que tua face perfeita
agora se encontra obsoleta.

Tudo se vai

A poesia é a muleta do cego,
cego de dor,
cego de amor,
cego até mesmo de felicidade.
Inspiramo-nos nas coisas
mais densas e triviais do mundo,
e até ensaiamos uma momentânea anestesia
que dura somente algumas linhas,
porque tão logo
a inspiração acaba,
e junto com ela se esvai
toda aquela alegria.

29 junho 2010

Doce ilusão


Foste para mim,
o que não será para ninguém.

Uma passageira brisa,
leve como o ar
fria como inverno.

Nossa melancolia florescia,
então o medo aparecia.

Olhavas para o céu
sempre à procura de algo,
algo que nunca encontraria.

Meu pequeno poeta,
pare de se flagelar
não sofra mais.

A atração está aqui,
não deixe nossos versos morrerem ali...

17 junho 2010

Imprevisíveis ações

A estranheza desse obscuro mundo
de repente, começa a me espantar
os mundanos olhos de veludo
estão sempre a criticar.

Fujo para meu impenetrável escudo
e no doce silencio, ponho-me a chorar.

Essa crueldade é tão absurda
que no fim, só nos cabe debochar.

No espelho, penso no futuro
e no que ele ainda há de revelar.

14 junho 2010

Errônea percepção


Nesta calma e fria manhã o improvável aconteceu
toda aquela tristeza desfaleceu.

Levou consigo a maldita inquietação
já não sinto mais perturbação.

Uma inexplicável atração resplandeceu
teu corpo agora será pra sempre meu.

Sinta toda a libertação
sentirei na mesma proporção.

O poeta se converteu
e falou: serei somente teu...

11 junho 2010

A certa posição

Poderia decifrar seus belos mistérios
resolver suas confusas incógnitas.

Contigo adentrar esse mundo perspicaz
onde é tudo tão frio e voraz.

Nossos versos abarbados dizem tudo,
mesmo quando não querem dizer nada;

Seríamos nós os antídotos necessários?

Então, ao mesmo tempo
em que o café está esfriando
o cigarro se apagando
o escurecer chegando...

Nosso temido fim é anunciado
É chegada a hora de encarar o término de algo que nunca começou.